Bem Vindo ao Blog ARTE & MIXOLOGIA

Aprecie o conteúdo sem moderação

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Barbados está mais próximo

Estamos de volta com mais matérias interessantes desse nosso universo. Há tempos não posto né? O fato é que mais do que nunca a gastronomia de manhã, as aulas de coquetelaria à tarde e o open bar à noite divididos com consultorias não me deixam tanto tempo.

 Vou postar uma matéria que foi publicada dia 19 no Correio Braziliense pela Mariana Cieratti. A Gol fará promoções para essa rota e em 2 semanas devo organizar uma viagem com os alunos. Segue a matéria...

Barbados

Yo-ho-ho e uma garrafa de rum!

História da destilaria mais famosa do país se confunde com o passado da ilha. Visita permite descobrir os processos de fabricação e todos os sabores que resultam deles

Dose para degustação na Mount Gay: aromas de coco e baunilha
Pinturas que evocam as lojas de rum se espalham pela destilaria.
Tomar uma dose de rum de Barbados pode ser tão chique quanto experimentar um bom vinho ou a loira fabricada numa microcervejaria. Primeiro, verte-se o líquido numa taça pequena, delicada. Em seguida, gira-se várias vezes o copo com haste para que a bebida libere seus aromas e pequenas gotas escorram pelas paredes do recipiente. É aí que se observa o quanto o rum é viscoso, e essa característica define a sua boa qualidade.

Finalmente, chega a hora de degustá-lo. Prepare-se, porque a primeira impressão no paladar assusta: o teor de álcool (43%, em média) é tanto que o gole inicial equivale a uma flechada gustativa. Mas não dá para desistir de cara. Isso porque, pouco depois, torna-se possível sentir outros sabores. Há notas de banana, coco, baunilha. E algo vagamente floral.

Não que os piratas e os navegadores (1)dos séculos 17 e 18 se preocupassem com todas essas minúcias. Reza a lenda que, para eles, rum era não só uma bebida para dar coragem — mas uma prova de que eles de fato estiveram no Novo Mundo, enfrentando as turbulências do lado atlântico do Caribe. Trazer uma garrafa para casa significava ter sobrevivido às ondas, aos recifes de corais e às péssimas condições sanitárias nos navios da época.

A história entre os dois extremos de rusticidade e finesse é contada durante a visita à Mount Gay, indústria que empresta suas cores (vermelho e amarelo) às 1,5 mil lojas de rum espalhadas pela ilha. A saga da destilaria praticamente se confunde com a história do país — por onde se espalham pés de cana capazes de resultar num melaço farto, aromático, essencial para uma boa bebida. “A matéria-prima precisa ser transportada logo depois da colheita para manter o frescor”, explica o guia Damien Batson.

Esse e outros saberes da fabricação do rum eram novidade em 1703, ano que marca os primeiros registros de produção regular no país e, também, a fundação da Mount Gay. E quase desconhecidos em 1637, quando começaram as atividades de destilação na ilha, com qualidade muito variável. Hoje, no entanto, o papo é outro. Não se tem acesso à linha de produção — nem mesmo aos barris de carvalho onde o rum envelhece —, mas a descrição do processo ajuda muito a entender como, afinal, nasce a bebida preferida dos barbadianos.
Quando a cana já foi cortada e moída, o caldo passa por cinco etapas (purificação, filtração, evaporação, cristalização e separação) para formar o melaço. A substância passa uma semana decantando ao sol e, em seguida, algo entre 36 e 48 horas num barril de fermentação. Depois, vêm as fases de destilação simples e dupla; de mistura dos dois tipos de líquidos destilados (que têm teores diferentes de álcool) e, finalmente, de envelhecimento. O último estágio é essencial para determinar a nobreza do rum. Por exemplo, os básicos, como o Mount Gay Eclipse, ficam dois anos nos barris; já os tops de linha, como o 1703, até três décadas. “Esse rum se bebe no máximo com uma pedra de gelo. E não se pode tomar mais de três doses”, avisa Batson.
As explicações técnicas logo dão lugar à parte mais sensorial da visita. É a hora de observar cores, distinguir aromas e perceber os efeitos que o tempo maior ou menor de envelhecimento provoca em cada produto. Faz-se isso primeiro em uma sala especial cheia de grandes potes tampados. Basta abri-los, girá-los e deixar o odor chegar às narinas. A experimentação de cheiros e sabores continua no bar da destilaria, onde o passeio termina e o bartender Allan Cummings compartilha uma última dica: “O bom rum é suave, fácil de beber. O mau não é muito maduro e deixa uma sensação de queimação fortíssima na boca”. Certamente não é o que acontece quando se toma a bebida alcoólica mais famosa da ilha. (MC)

1 - Cesta básica

Na segunda metade do século 17 — mais exatamente em 1655 —, a marinha inglesa introduziu a ração de rum, fazendo com que a bebida fosse distribuída regularmente entre os navegadores. Com a medida, o consumo aumentou muito além das fronteiras de ilhas caribenhas como Barbados e Jamaica. A iniciativa também é considerada uma das responsáveis pela melhoria rápida na qualidade dos produtos. No século 18, Barbados já era especialista na tecnologia de produção da bebida.

FESTA NO FIM DA COLHEITA

Começa em 3 de julho e vai até 2 de agosto o Crop Over Festival, a maior festa nacional de Barbados, que celebra o fim da colheita da cana-de-açúcar (iniciada em fevereiro) e reconhece o esforço dos que trabalham na lavoura. Comunidades de toda a ilha participam de feiras, shows, desfiles e outros eventos culturais. O ponto alto está no Kadooment Day, feriado nacional comemorado na primeira segunda-feira de agosto. Veja a programação completa em www.barbadoscropoverfestival.com.

Aonde ir

Mount Gay Rum

» Spring Garden Highway, Bridgetown; (1-246) 425-8757

» www.mountgayrum.com

» Tour convencional: de hora em hora, segunda a sexta, das 9h30 às 15h30; aos sábados, das 10h30 às 14h30. Ingressos: 14 dólares barbadianos (US$ 7); menores de 12 anos têm entrada franca. Tour com almoço: às terças e às quintas, ao meio-dia. Ingressos: 100 dólares barbadianos (US$ 50); o valor dá direito a transporte; menores de 12 anos pagam meia. Tour de coquetéis: às quartas, às 14h. Ingressos: 70 dólares barbadianos (US$ 35); o valor dá direito a transporte; proibida a entrada de menores de 12 anos. A lojinha fica aberta de segunda a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados, das 10h às 16h.

Em pequenas doses

» No bar da Mount Gay, são servidos drinques (todos por 10 dólares barbadianos, ou US$ 5), como o eclipse sunrise (com suco de laranja e licor de cassis), o regal pleasure (com Amaretto, creme de banana e suco de abacaxi) e o coffee still (com café, xarope de cana de açúcar e creme de cacau)

» A empresa celebrou seu 300º aniversário em 2003. Hoje, o rum é exportado para 80 países, inclusive o Brasil

» O museu da Mount Gay guarda alguns dos destiladores mais antigos do mundo, datados do século 18. Um único modelo foi usado por 250 anos e hoje dá origem ao design de todos os aparelhos modernos, por conta do formato que ajuda a consolidar o gosto do rum

» O presidente norte-americano George Washington (1732-1799) foi um apaixonado pelo rum de Barbados. Adquiriu o gosto na primeira e única viagem que fez para fora dos Estados Unidos, em 1751. Na cerimônia de posse, 38 anos depois, exigiu que um barril fosse trazido da ilha para a festa

0 comentários:

Postar um comentário